ARTIGO: UMA CONVERSA DO PROF. DR. PAULO FERREIRA COM O PROF. SANDER MACHADO SOBRE CULTURA.

PROF. Sander: Sabe Paulo, depois daquela nossa conversa, abri o google e procurei a definição de Cultura no Dicionário Aurélio de Português Online e lá o significado corresponde a: 1. Ato, arte, modo de cultivar. 2. Lavoura. 3. Conjunto de Operações para que a terra produza. 4. Vegetal Cultivado. 5. Meio de conservar, aumentar e utilizar certos produtos naturais. 6. Aplicação do espírito a (determinado estudo ou trabalho intelectual). 7. Instrução, saber, estudo. 8. Apuro; perfeição; cuidado. Publicado em: 2016-09-24, revisado em: 2017-02-27.

Já vendo isso, me dei muito triste como restringimos as palavras a um cárcere ao invés de libertá-las. Explico-me melhor, quando pensamos em cultura remetemos a palavra diretamente as artes, seja a arquitetura, desenho, escultura, pintura, escrita, música, dança, teatro e cinema, entre outras. Será que seria assim para o homem do campo? Se perguntássemos para ele como está a sua cultura? Falaria sobre Picasso? E um empresário, ou gestor de uma empresa? Se perguntássemos a ele sobre cultura? Será que responderia qual é a missão da sua empresa? Ou nos falaria que música de verdade era a que os Beatles faziam? Que acha?

PROF. Paulo: Sander bem bom que iniciaste já com essa reflexão, sempre me preocupou este valor restritivo que costumamos usar, entendo que nada mais é que uma sabotagem ao nosso cérebro. Ao reduzir damos menos trabalho aos processos que nosso cérebro deve vencer, e como ele sabe que é um gastador de energia, logo pontua e ficamos por aí.

Falamos em cultura sem identificar que ela nos insere em grupos de pessoas, em práticas, em atitudes enfim em nossa identidade .

PROF. Sander: Verdade. Mas se o amigo me permitir, ainda queria acrescentar mais tempero nesse nosso bate-papo, sabe você que a origem da palavra cultura no dicionário etimológico vem da palavra culturae, mas que se originou a partir de outro termo latino: colere, que quer dizer, “ação de tratar”, “cultivar as plantas” ou “ato de plantar e desenvolver atividades agrícolas”. Só com o passar do tempo que o termo foi desenvolvendo uma analogia entre o cuidado na construção e tratamento do plantio, com o desenvolvimento das capacidades intelectuais e educacionais das pessoas.

Aí, de forma também analógica, fico pensando que com a mesma falta de habilidade que deixamos de tratar, cultivar e desenvolver atividades que fossem benéficas para o planeta, abandonamos o tratar, o cultivar e o desenvolver da cultura organizacional da nossa empresa, transferindo a responsabilidade do desenvolvimento intelectual e educacional de nossos profissionais a mera formação acadêmica como especializações técnicas, mestrados, doutorados, MBAs, enfim, canudos e mais canudos.

Um mundo competitivo e pouco cooperativo, desenvolveu um humano que é cada vez mais egoísta e menos ser. Rejeita participar do coletivo porque teme perder seu status individual. Fizemos da escolaridade, dos canudos, dos títulos, uma microfísica de poder.

PROF. Paulo: É o que sinaliza, né Sander? Um café seria ótimo para molhar a garganta e estimular os sentidos (risos). Mas voltando de onde paramos. Novamente estamos reduzindo e contribuindo com a preguiça cerebral. A busca de títulos nos dá a sensação de finalizar, a impressão é que ao conquistar o fim nos tornamos melhor. Ainda para nós que lidamos com a educação, a percepção que fica é de que as pessoas buscam o título para ter poder, me pergunto será?

Na cultura brasileira cada vez fica mais claro que as pessoas querem os títulos para ter dinheiro e o dinheiro compra o poder. Sabes que ao avaliar um negócio, uma empresa, uma operação qualquer, o mais difícil é identificar se realmente existe desempenho, quando existe dinheiro em abundancia, os erros desaparecem. As falhas já não são importantes, pois tudo pode ser resolvido com um pagamento. Talvez por isso, se não temos dinheiro, temos medo de tentar. Nosso subconsciente tenta prevenir e evitar os erros, se não podemos pagar teremos que reconhecer, erramos. Este reconhecer é que realmente cria a oportunidade de melhorar, mas infelizmente a cultura é esconder os erros. Não queremos tratar as coisas e nós, preferimos esconder as coisas e nós, os erros.

PROF. Sander: Pois é. Conforme relatas e que concordo no fio do bigode (risos), cultura é tratar, então passamos a desenvolver em relação ao planeta o que por analogia chamo de contracultura, o não tratar. Indo na contramão da função essencial do termo, nos negamos ser felizes por completo, o que nos impele ir para outros caminhos como amar (que é tratar) ter paz (que é tratar), ser compreensivo e inovador que é tratar, que é cultura.

E esse conceito de contracultura, do não tratar se espalhou pela sociedade como um todo. Nossa justiça, nossa segurança, nossos preconceitos, nossa política e é claro nossa empresa, são o reflexo de nós, ao invés de uma janela a olhar para o horizonte, nos tornamos um quarto estreito, apenas uma cinza de fresta, no horizonte, dessa que poderia ser uma terra diversa, se tornou uma terra adversa.

PROF. Paulo: Pois é amigo, entrar no brete e seguir o bando, agora facilitado pelas redes sócias, é economizar gastos de energia com o funcionamento do cérebro, mas o resultado, bem o resultado é a degola coletiva infelizmente.

Convidamos a todos tentar caminhos distintos, conviver com a adversidade, reconhecer nossos erros, apresentar-se para o que der e vier como uma forma de tratar de melhorar como pessoa, uma cultura voltada para a cooperação e colaboração na conservação das culturas construtivas.

Com o carinho dos Autores:

Prof. Paulo Ferreira, é Presidente do Instituto Eckart, Ph.D. em GESTION Y COMERCIALIZACIÓN INTERNACIONAL DE LA EMPRESA pela Universidad de León/ Espanha, consultor de empresas em estratégia e comportamento humano, neurocientista e pesquisador na área de Neurociência Cognitiva Comportamental.

Prof. Sander Machado, é Diretor de Relacionamento do Instituto Eckart, especialista em semiótica, psicologia do desenvolvimento, design, redator e escritor.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *