ARTIGO PROF. DR. PAULO FERREIRA: SER REAL, NÃO QUER DIZER NÃO SER VIRTUAL.

Binóculos.

Imagina quantos olhos nos observam nas redes sociais? Pertenço a um grupo que muitos olham e não dizem nada, outros escrevem o tempo todo. Entram e saem do grupo. Se ofendem e se elogiam na mesma semana. Será que viramos o Robin Hood virtual de nós mesmos?

As vantagens disso tudo são evidentes, os prejuízos da mesma forma. As pessoas se habituaram a ter a internet como aquela confidente; faz-se todos os motivos, nas crises morais e de consciência, políticas e econômicas, matrimoniais ou profissionais, tem onde vazar com confiança as suas dores, diminuí-las, portanto, afastá-las do seu diário, porque dor confessada, já́ não é dor inteira e se torna tortura a menos para ser vivida.

Seria tolice exigir que virássemos os binóculos para termos desses momentos uma realidade aumentada de nós mesmos, aos apanhados dos debates, em tremenda confusão, diz-se que macaco não olha para o seu rabo; desta forma só́ olhamos para o rabo dos outros.

Não é a última vez que torto ri do aleijado.

Ao invés de um espetáculo de brigas esse mundo virtual-real, devia nos dar uma mansuetude, tolerância, posto que quando temos tantas opiniões diversas, mais o mundo pode ser circular.

“Um homem me chama de bondoso, outro me chama de cruel, este chama de bom, honesto e amigo, enquanto outro diz que sou um patife e ladrão. Na verdade, o mundo possui tantos olhos para encantar um homem, quantas pintas tem um sapo; assim, qual o par de olhos que se volta para mim depende, inteiramente, de cada um. Meu nome é Robin Hood! (Excerto do livro As aventuras de Robin Hood, de Howard Pyle 1853 -1911)”.

Será que nos convenceremos de que a unanimidade é inútil? De forma a impedir que o azedume das disputas quase sangrentas parem de reprimir a criação, a invenção, a ousadia intelectual de cada um. Entre o sim, o não e o talvez, deixe espaço para espalhar coisas bonitas por aí.

Ser Real, não quer dizer não ser virtual.

Defendemos clubes de futebol, olhamos e compartilhamos humanos sem roupas, pessoas em atos íntimos. Nos expomos sem avaliar os olhos que nos veem. Quando desafiados chamamos o outro de radical. Buscamos defesa de nossa posição no Google e não aceitamos quando nos respondem com respostas do Google.

Talvez colocar nossas ideias no mundo virtual, nossos desejos e identificações nos convença que vencemos a discussão e que isto é real, ou mentir para nós por um segundo de fama seja roubar dos ricos um minuto de atenção.

Mas fico em dúvidas neste mundo virtual, afinal quem é rico? Quem é pobre? Será que ser o Robin Hood é uma atitude de herói ou depressivo? Ou alguém carente no mundo real que necessita atenção? Eu não sei que mania se meteu na nossa cabeça moderna que exista alguma solução dentro da ilusão e da fantasia. Bem parece que o melhor é ser real neste mundo virtual!

 

Com o carinho dos Autores:

Prof. Paulo Ferreira, é Presidente do Instituto Eckart, Ph.D. em GESTION Y COMERCIALIZACIÓN INTERNACIONAL DE LA EMPRESA pela Universidad de León/ Espanha, consultor de empresas em estratégia e comportamento humano, neurocientista e pesquisador na área de Neurociência Cognitiva Comportamental.

 Prof. Sander Machado, é Diretor de Relacionamento do Instituto Eckart, especialista em semiótica, psicologia do desenvolvimento, design, redator e escritor.

 

 

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