ARTIGO PROF. DR. PAULO FERREIRA: A VOLTA DA CEBOLA.

As vezes leva tempo para a mente aceitar o que o coração já sabe.
A Volta da Cebola.

Analisando o perfil profissional de um jovem de 24 anos de idade chamei atenção dele que devemos durante toda a vida nos perguntar, nos observar e sentir se estamos na turma certa. No laudo comportamental dele percebe-se que as escolhas priorizavam a auto realização, a autoestima e a necessidade de pertencer a grupos sociais.

Talvez você que nos lê se pergunte e daí? Bem, comportamento humano envolve sentimentos e emoções em um determinado ambiente e temporalidade, o que pensam de nós é muito importante para que possamos gostar de nós e o sentimento de pertencimento faz com que fiquemos parecido com a turma. Parece complexo, e é, porém, é simples! As necessidades priorizadas por ele coincidem com um modelo cerebral que tem a predominância no frontal, mais de cinquenta por cento da energia entre a razão e sensibilidade, o que permite refletir que temos como resultado uma pessoa com espirito de buscar desafios, um possível empreendedor no Brasil, veja que loucura e coragem.

Observem que temos um perfil raro, que não procura estabilidade e previsibilidade, alguém que deseja ser livre. E a sua turma?

Ao lhe falar sobre o que observava ao analisar o perfil rapidamente respondeu, confesso que meu sonho é viajar, mas percebi que me saboto por usar as mesmas cascas da turma que admiro.

A vida é pequena. A alma é vasta.

Pedi para ele me falar sobre a viagem, ele logo esqueceu que estava em dúvida sobre o que fazer na vida, passou a sorrir e detalhar os planos.

A vida é pequena, volta e meia nos faz lembrar do que é grande para nossas inspirações, lembrei de mim com 21 anos, e da história que passo a contar:

Certa vez decidi receber colegas de estudos da turma da psicologia em minha casa de solteiro em Caxias do Sul. Não sabia cozinhar e não existia nem um mantimento naquela cozinha. Como morava próximo de um restaurante, pedi ajuda a uma simpática cozinheira. Aquela senhora era maravilhosa, além de fazer a comida, montou todo o cenário. Fiz a recepção e recebi muitos elogios pela comida.

Passadas algumas semanas, recebi a visita de minha mãe, que logo passou a corrigir a pequena bagunça lá em casa. Quando chegou à cozinha e abriu o forno do fogão, caiu um caule verde para fora. A investigação concluiu ser uma cebola que brotou por estar protegida e em uma verdadeira estufa.

Peguei pela segunda vez uma cebola, a primeira foi quando coloquei no forno, e a segunda quando a tirei com outra vida do forno e falei para mamãe: “Muito legal, vou poder explicar o que é um ser humano para meus alunos”. Bem, mãe é mãe, não perguntou nada, ficou em silêncio.

Quem olha pela janela com saudade do que foi ontem, fecha as portas para o que o universo apresenta para você ser hoje.

Desde daquele dia, não posso precisar exatamente qual, mas sei que era um sábado do ano de 1980, passei a utilizar a figura da cebola em todas as aulas e treinamentos onde desejo falar do ser humano.

São mais de trinta anos que tento demonstrar a semelhança entre nós, seres humanos, e a cebola. Depois da fama de ter enlouquecido, este universo foi ficando mais translúcido por intermédio de perguntas que tornaram a simbologia mais compreensiva.

A Cebola é sempre um campo repleto de descobertas para mim e para aqueles que por mim tem conhecimento dela. Voltando ao jovem de 24 anos, talvez sirva para meus parceiros de 60 anos também: não deixe que as cascas tornem refém a sua alma, participe de turmas diferentes, tire cascas, coloque cascas, enfim, de uma oportunidade para que seu ser natural floresça.

 

Com o carinho dos Autores:

Prof. Paulo Ferreira, é Presidente do Instituto Eckart, Ph.D. em GESTION Y COMERCIALIZACIÓN INTERNACIONAL DE LA EMPRESA pela Universidad de León/ Espanha, consultor de empresas em estratégia e comportamento humano, neurocientista e pesquisador na área de Neurociência Cognitiva Comportamental.

Prof. Sander Machado, é Diretor de Relacionamento do Instituto Eckart, especialista em semiótica, psicologia do desenvolvimento, design, redator e escritor.

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