Sustentabilidade e Desenvolvimento – Parte I

Redes

A grande pergunta neste momento é como manteremos um desenvolvimento de forma sustentável? Como não acabaremos morrendo em razão de nosso próprio sistema econômico? Como sairemos dessa equação que tem acompanhado a nossa trajetória, que é a de sempre evoluir a partir de ações destrutivas?  Como deixaremos de ser bastarmos para voltarmos a sermos filhos da Mãe Terra?

Com o consumo cada vez maior e uma necessidade constante de abastecimento de produtos e serviços (tanto no que diz respeito a bens primários e particularmente aos supérfluos) à medida que o tempo passa, a coisa torna-se cada vez mais incontrolável. O símbolo que vem a nossa cabeça é como se cada um fosse um caracol carregando a sua casinha particular nas costas. É cada um por si e Deus contra todos.

Conforme Fritjof Capra (físico e teórico de sistemas, é o diretor fundador do Centro de Eco-alfabetização de Berkeley. É autor de diversas obras de referência, campeãs internacionais de venda, como o Tao da Física e a Teia da Vida), uma das mais importantes considerações da compreensão sistêmica da vida é a do reconhecimento que redes constituem o padrão básico de organização de todo e qualquer sistema vivente. Ecossistemas são entendidos em forma de teias de alimento (i.e., redes de organismos); organismos são redes de células; e células são redes de moléculas. Rede é um padrão comum a todo tipo de vida. Onde quer que nos deparemos com vida, constatamos redes. Parece-nos razoável, racional e porque não dizer óbvio compreender que qualquer empreendimento para ter sustentabilidade, terá que naturalmente estar baseado no conceito de rede, se nós contrariarmos essa regra que é uma gestão ancestral, como popularmente se diz , será um investimento que rema contra a maré, fadado ao insucesso.

Quando falamos em um empreendimento e na necessária e natural constituição dele em rede, não estamos limitando a sua aplicação. Muito pelo contrário, quanto mais pudermos exercitar o conceito de rede em nossas vivências e convivências, mais nos religaremos aos nossos sentimentos primordiais. O que nos trará mais paz, estabilidade e amor. Desta forma, é pra já que o conceito de rede seja aplicado na construção de uma indústria, na abertura de uma loja, no desenvolvimento de um produto, na gestão de uma equipe. Mas também faça parte daquele grupo de amigos que nos reunimos para jogar um futebol, das amigas que desde o término da faculdade permanecem com seus laços convergentes, no clube, na produção cultural, na expressão religiosa, na participação da sociedade de consumo. Enfim, na minha e na sua atitude individual e comprometida para que isso dê certo, dentro de um e de todos os empreendimentos coletivos: A REDE.
Em recentes estudos da neurociência, os cientistas têm identificado no cérebro humano, uma região onde estão os nossos valores. Essa matéria que até então parecia coisa subjetiva e lúdica, tratada pelas ciências como filosofia, política, pedagogia ou comportamental, agora ela toma um caráter pragmático, incluindo a ética e moralidade também dentro de um campo neurofisiológico. Na parte frontal do cérebro, nos lobos frontais, dispomos de neurônios dedicados a realizar sinapses com foco em aspectos éticos e morais. Estas sinapses compõem redes neurais, uma espécie de “avenidas” por onde transitam nossos pensamentos. Conforme foi possível confirmar por esses estudos, há sim em nós um potencial ético natural. Uma auto-regulamentação planetária, uma inteligência de preservação e controle em relação à convivência e experiência em grupos.

Conforme Capra, o autor nos sugere uma forma muito interessante de pensar como o universo e todas as coisas mantém sua sobrevivência: “Um exame mais próximo destas redes de vida demonstra que sua característica chave implica na autogeração. Em uma célula, por exemplo, todas as estruturas biológicas são produzidas, reparadas e regeneradas de forma continua por uma rede de reações químicas. Similarmente, ao nível de um organismo multicelular, as células do corpo são continuamente regeneradas e recicladas pela rede metabólica do organismo. Redes vivas de forma contínua criam ou recriam a si próprias, quer transformando ou substituindo seus componentes”.  Até para os mais cartesianos que não acreditam em milagre, aqui se dá o milagre da sustentabilidade. A própria rede provê os recursos para que os indivíduos permaneçam vivos e gerem inovações.

Mas como isso se sucede? Porque no mundo do seres humanos é tão difícil viver em redes? O que nos une mais com alguns e outros não temos nenhuma simpatia ou sinergia?  Quais são as habilidades e competências que teremos que desenvolver para manter em primeiro lugar a sustentabilidade de um empreendimento em rede?

Em nosso próximo ponto de chegada, nós trataremos de Rede de Conexões.  Como podemos nos tornar seres menos individualistas sem abrir mão da realidade privada? Sim, sem abrir mão.  O propósito é construir uma via transversal e sólida, para essa nova sociedade que gostamos de chamar de “redealista”. Diga-se de passagem, significativamente diferente da socialista, que como a etimologia já diz está focada apenas no social, esquecendo que somos seres: Bio-psico-sócio-econômicos sob os efeitos do inconsciente coletivo.

Paulo Ricardo Silva Ferreira

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Educador Facilitador. Presidente do Instituto Eckart Desenvolvimento Humano e Organizacional. Doutorando em Ciências Empresariais pela Universidade de Leon/Espanha, administrador de empresas, curso de psicologia, pós-graduado em administração hospitalar. Professor universitário em cursos de graduação e pós-graduação. Consultor em estratégia empresarial, desenvolvimento organizacional (DO), comportamento, mudança intervencionista e inteligência empresarial da Eckart Consultoria. Presidente da Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul. Palestrante nacional destacado pela abordagem multidimensional das organizações, abordando temas como valores humanos, ética, comportamento e desenvolvimento humano continuado e pensamento estratégico. 

Redator: Sander Machado
Profissional de comunicação, redator. Coordenador do Núcleo Celebração do Instituto Eckart. Diretor Criativo da ILê Comunicação. Entre outros prêmios já conquistou Top Nacional de MARKETING ADVB, ESPM/RS, Mérito Lojista, ANAMACO e Central Outdoors. Formação em Comunicação Social Publicidade e Propaganda, Antropologia, mestrando da Psicologia Social.

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