Neurociência – Jogar é uma forma de desenvolver seu cérebro, e com prazer.

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Lembro-me das aulas da professora Fela Moscovici, anos oitenta, quando nos chamava a atenção para entender que “a aprendizagem emocional é desejável e necessária para mudança de atitudes e suas consequências no comportamento das pessoas em termos de atuação e eficiência. O envolvimento emocional, a conjugação de informações e experiências e sua incorporação por via intelectual e emocional, pensando e sentindo, analisando, raciocinando e expressando sentimentos, num misto de lógica e ingenuidade, permitem insight e conscientização, mudando a predisposição para agir”.

 

Muito tempo se passou, bota tempo nisto, e ao estudar neurociência descobrimos que para melhorar minhas capacidades cognitivas e comportamentais ou simplesmente mantê-las bem devo usar sempre meu cérebro, mesmo contra a vontade de meus medos ou dos meus senhores (pressões internas ou externas).

 

Hoje encontramo-nos numa feliz época em que a neurociência revolucionou o juízo de como as redes neurais são estabelecidas no momento da aprendizagem, como os estímulos chegam ao cérebro, da forma como as memórias se consolidam, e de como temos acesso a essas informações armazenadas. A neurociência trouxe novas experiências no entendimento da química, ciências da computação, engenharia, linguística, matemática, medicina, filosofia e disciplinas convergentes com essas, como a pedagogia, a administração, a comunicação, o marketing, a psicologia, entre outras.

 

Não bastasse toda esta contribuição, percebemos uma possibilidade de aplicação no mundo profissional. Estas novas descobertas podem nos auxiliar a compreender onde está à memória e principalmente, comprova que temos uma enorme plasticidade cerebral para mudar e aprender a mudar.

A CONTRIBUIÇÃO DOS JOGOS ANALÓGICOS

Todo o exercício é valido, nenhum é completo ou suficiente para desenvolver todas as habilidades necessárias para a vida. Necessitamos de liberdade para o exercício cerebral e nada melhor que o lúdico, uma forma de não sofrer as pressões sociais da época. Lúdico não é real nem virtual, é um ambiente de liberdade onde eu posso errar e errar é fundamental para aprender. O laboratório vivencial que construímos aqui no Instituto Eckart, a partir dos jogos analógicos, tem a intenção de facultar aos participantes aprender a aprender ou aprender a construir um modo de relação que torne eficientes os mecanismos de comunicação, a estruturação de vínculos e a localização no universo existencial. Esperamos alcançar resultados na capacitação de seres humanos que propiciem alcançar um ajustamento efetivo no plano individual (eu-comigo) e no plano coletivo (eu-mundo).

 

Todo ser humano hígido deseja ser apreciado por algo que faça, tem muita dificuldade em errar para aprender e aprender tornou-se um grande sofrimento, que infelizmente sem ele não conseguiremos nos destacar. Desde os filósofos gregos vem-se utilizando dos jogos para ajudar os aprendizes, uma forma de poder errar sem críticas ou censura própria. As brincadeiras e jogos podem e devem ser utilizados como uma ferramenta importante de educação, principalmente na educação de adultos, que perderam a ingenuidade da criança. Frequentemente, as atividades lúdicas também ajudam a memorizar fatos e favorecem o desempenho cognitivo.

 

Como podemos observar, embora pareça ser brincadeira, o uso dos jogos para desenvolvimento de competências para líderes se trata de uma intervenção muito séria e provocadora de mudanças. Normalmente nas empresas quem deseja o desenvolvimento das competências de líderes é o chefe ou o resultado de uma pesquisa, diagnóstico, e não a vontade dos participantes. As dinâmicas tradicionais de treinamento sempre são para as pessoas uma ameaça à participação, todos sabem que seguramente serão expostos a entender e modificar algo.

 

PERMANECENDO VIVO

Através do estudo da evolução Darwin nos ensinou que somos o resultado de um conjunto de estruturas e mecanismos que foram constituímos não apenas para enfrentar, mas principalmente nos adaptar as novas realidades, esta adaptação pode nos favorecer para que sejamos capazes de gerar “previsões” de tal ambiente e responder de maneira antecipatória, tornando-nos capazes de vencer situações problemáticas.

Conforme a neurociência, um componente da memória de trabalho é uma memória sensorial, um sistema de repetição e também um mecanismo de ativação dos registros armazenados de forma mais permanente no cérebro. Quando temos esse sistema mais flexível, isso não significa que seremos mais submissos, mas, sim, dócil, o que nos torna menos resistentes às mudanças e mais estimulados para obter e armazenar o máximo de informações relevantes sobre o ambiente, o que possibilita a esse indivíduo ou para esse grupo estarem mais aptos a reagir prontamente a estímulos ambientais de mudança. Sabemos que o ser humano ao tomar uma decisão, diminui glicose no sangue – o açúcar do sangue – disponível para a decisão seguinte. A tomada de decisão requer esforço e exercício, para que possamos ser capazes de solucionar problemas de maneira antecipada, de padrões inesperados ou regulares. Precisamos treinar para isso!

Para alcançar um nível diferenciado pessoal e profissional necessitamos do auxílio mútuo e nos sentir livres, brincando, sem medo de errar. Nosso cérebro, como um ente social, necessita de interação com os outros, devemos evitar a rejeição social, a crítica grosseira, o bullyng, o preconceito profissional, estas atitudes acionam no cérebro as mesmas regiões que o da dor física. Quem deseja sofrer desta maneira para crescer intelectualmente, profissionalmente, socialmente?

O DINHEIRO NÃO É O MAIS IMPORTANTE

Diante dos estudos de Rock, pesquisador que fez muitas investigações nesse sentido, “situações de injustiça geram significativos estímulos das amígdalas, o circuito cerebral do medo”, este estudo também determinou que para muitas pessoas a justiça é o mais importante para o cérebro do que o dinheiro.

Diante desta realidade identificamos pelo menos três motivos explícitos para trabalharmos com jogos analógicos:

a. É uma maneira dos jogadores estarem conectados e comprometidos com o seu próprio desenvolvimento em razão de poder se libertar sem medo e experimentar-se;

b. aperfeiçoar a compreensão dos princípios ativos que tornam a mudança possível sem sequelas, experimentando o imaginário;

c. compreender o cérebro para conseguir que o trabalho seja realizado de maneira eficaz e com felicidade.

De forma prática pretendemos propiciar aos jogadores aproveitar os efeitos da serotonina (soro da alegria), sem risco da dopamina nos viciar, no preparo profissional de modo a ativar circuitos particulares do cérebro em volume razoável e com isto poder nos surpreender com a mudança extraordinária dessas Pessoas.

Finalmente, pretendemos estimular às pessoas, através dos jogos analógicos, exercitar os neurotransmissores que melhoram o humor, embalam o sono e aliviam a dor!

Como diz o compositor da música Serra do Luar, Walter Franco: “Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.”

 

Sobre o Autor

Liderança para o século XXI – Cibridismo e o mundo do Instantâneo.

 

Paulo Ricardo Silva Ferreira, Ph.D.
Educador, facilitador e conselheiro. Doutor em GESTIÓN Y COMERCIALIZACIÓN INTERNACIONAL DE LA EMPRESA pela Universidade de Leon/Espanha. Administrador de empresas, curso de psicologia, pós-graduado em administração hospitalar. Professor universitário em cursos de graduação e pós-graduação. Autor de mais de 500 artigos sobre gestão, neurociência e comportamento nas empresas publicados no site do Instituto Eckart, jornais e revistas especializados.

Autor do e-book “Inspirações Contemporâneas: O comportamento organizacional no século XXI”publicado na internet em 2012.

Autor do livro “Gestão de Pessoas: uma abordagem comportamental para leigos”, editora LIVRUS/SP, lançado em janeiro/2014.

Consultor Sênior em estratégia empresarial, desenvolvimento organizacional (DO), comportamento, mudança intervencionista e inteligência empresarial da Eckart Consultoria. Especialista do MEC para avaliação de instituições de ensino superior. Consultor da Secretaria Estadual de Educação para análise dos cursos em nível técnico da área da Administração. Membro da Associação Brasileira de Saúde Mental.

Criador e Presidente do Instituto Eckart Desenvolvimento Humano e Organizacional. Ex-Presidente da Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul. Palestrante nacional destacado pela abordagem multidimensional das organizações, apresentando temas como valores humanos, ética, comportamento e desenvolvimento humano e pensamento estratégico. Estudioso em neurociência cognitiva comportamental. Criador do primeiro programa brasileiro de Residência em Gestão Empresarial – Residência ie©

Palestrante nacional e internacional destacado pela abordagem multidisciplinar e multidimensional das organizações, apresentando temas como valores humanos, ética, comportamento, desenvolvimento humano e pensamento estratégico. Estudioso em neurociência cognitiva comportamental. Especialista no uso de jogos para aprendizagem.

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